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terça-feira, 19 de março de 2013

Homens incorporando Pomba Gira?



Quando comecei meu caminho na Umbanda – E lá se vão mais de trinta anos - fiquei curioso ao saber que havia um pai no santo em meu bairro que incorporava uma pomba-gira. Como estava no inicio do desenvolvimento e não conhecia absolutamente nada, fui, obviamente, perguntar a minha mãe no santo se aquilo era possível. Ela me olhou com um sorriso irônico e lançou um olhar malicioso à mãe pequena que assistia a conversa e disse: - Homem que incorpora pomba-gira é, foi ou será gay! (Não foi essa a palavra usada, nesse tempo a pecha era outra, mas vou poupá-los de mais essa ignorância).

Pois bem, em giras de esquerda sentia sempre uma vibração muito diferente quando se cantava para as moças, mas morria de medo de incorporar e ficar com a fama. Algum tempo depois por variados motivos que não vêm ao caso, retirei-me dessa casa e fui muito bem recebido por um outro pai no santo que foi quem entregou meu decá. Este, era um estudioso da lei e mostrou-me toda a verdade, foi pelas mãos dele que incorporei minha primeira pomba-gira.

Fiz todo esse prólogo para tranqüilizar aqueles que, como eu, na época, ainda guardam esse tipo de preconceito. Na Umbanda temos a obrigação de entender que as entidades e os orixás são energias que podem ser femininas ou masculinas, mas o sexo em si, não existe. É evidente que se no mundo material existem homens e mulheres, no astral isso também ocorre para que haja a perfeita hegemonia universal. Mas nunca, guardem bem isso, nunca uma entidade irá interferir na vida ou opção sexual de um médium.

Hoje passados tantos anos do fato que citei, me arrependo muito de não ter perguntado a ela: - Então a senhora é lésbica? Pois incorpora, exus, caboclos, preto-velhos e mais uma porção de homens. Infelizmente não tive oportunidade de fazer a pergunta, mas faço a você, médium que está lendo este artigo. Alguma vez você viu alguma mãe no santo ser tachada de haver se masculinizado já que incorpora tantos espíritos masculinos? Eu mesmo respondo. Não!

Vejam como o preconceito existe até em nosso meio. A última coisa que interessa a qualquer entidade seja de que energia for é sua opção sexual. E ela jamais afetará ou mudará nada em sua vida apenas por estar usando seu corpo para a caridade. Existem, e muitos, médiuns homossexuais, mas não foram levados a essa opção por espírito ou orixá algum. Já chegaram à religião dessa forma e como a Umbanda ou o Candomblé não têm por hábito julgar ninguém, sentem-se em liberdade para mostrarem-se como são.

Acontecem muitos casos de exageros, isso nenhum de nós pode negar. O médium, sendo consciente, libera mais seu lado feminino quando nessas incorporações. Isso, porém é um fato que cabe a cada pai ou mãe no santo conter para que não se ultrapassem limites. No mais, vamos acabar com o preconceito e com os ensinamentos errados que muita gente como aquela mãe lá do inicio continua impingindo aos médiuns iniciantes. Insisto para que todos aceitem suas entidades da forma como elas vêm, com a roupagem fluídica que tiverem e seu caminho na lei será mais leve e produtivo. Chega de mentiras forjadas para o bem de alguns!

Por: Luiz Carlos Pereira .

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Na Verdade Quem Faz o Mal?

           
            Nas lides de um terreiro de Umbanda, há uma linha de trabalho muito pouco entendida até os dias de hoje. É a linha dos Exus e Pomba Giras que pejorativamente receberam a alcunha de “demônios” ou daqueles que são os responsáveis diretos por toda prática do mal.

        O termo “demônio” é vocabulário milenar. Na Grécia Antiga encontramos seu significado a traduzir-se por “Gênio” ou “Espírito”. Portanto, Exu e Pomba Gira são Espíritos em evolução e buscam essa evolução com a consciência desperta através das experiências próprias.

         Assim, como todas as demais Entidades que militam na Egrégora da Umbanda essa linha de trabalho tem funções específicas a exercer. E embora as tenha devem ser recebidos nas sessões em que trabalham a olhos vistos dos filhos do terreiro e da assistência com o mesmo respeito das demais entidades das outras linhas.

         Muitos nem se apercebem que os trabalhos de um Exu e de uma Pomba Gira são constantes, começando bem antes de uma sessão ou gira, continuando durante a mesma e se prolongando após encerramento das atividades do plano material.

         Ser responsável pela segurança de um terreiro e dos filhos do mesmo é tarefa que requer muita destreza porque muitos filhos quando dão expansão as suas tendências sempre alegam que é por conta da energia dessas Entidades que possuem ao seu lado e esquecem que o livre-arbítrio é patrimônio de todos.

         Nunca um Exu ou Pomba Gira irá agir indo de encontro a Lei ou desrespeitando o livre-arbítrio de quem quer que seja!

         Nunca irão praticar o mal se estão numa linha de frente para combatê-lo como uma grande polícia de choque neutralizando as investidas das trevas na luz. Sim,  meus amigos!  Exu  é um ponto de luz nas trevas!

         E quantas trevas eles ainda tem que combater?

         Isso sem falar nas trevas da ignorância que existe em muitas mentes humanas que sem conhecerem, alegam que por nós fazermos parte da esquerda somos maus.

         Somos à esquerda, sim! Isso sem sombra de dúvida. Porém esse fato não nos torna menores e nem piores. Quando me refiro à esquerda quero que fique bem claro que essa polaridade é a contrapartida da direita. Só para dar um exemplo:  que seria do pólo positivo sem o   negativo    no  campo da eletricidade? Sabe o que aconteceria? Não existiria corrente elétrica para gerar energia meus filhos!

         Portanto, Exu e Pomba Gira são à esquerda no trabalho da direita.

         Há entidades que tentam enganar os filhos de fé se passando por esses trabalhadores? Há sim! Esses são os chamados quiumbas que acostumados a determinados despachos que recebem buscam se envolver com todos os assuntos para garantir a manutenção dos seus desejos. Esses estarão sempre à disposição da sua clientela, porque para eles nada mais existe a não ser um negócio que a primeira vista pode parecer rentoso e prazeroso, porém que a médio e longo prazo trará conseqüências funestas para ambas às partes.

         Então meus filhos entendam de uma vez por todas que Exu e Pombagira no trabalho de Umbanda não faz o mal! Procurem compreender essa linha de trabalho e se tiverem a oportunidade escutem o conselho desses guardiões. Com certeza muitos de vocês vão se espantar com a resposta que irão receber.

         Laroyê Exu e Pomba Gira! Exu e Pomba Gira é Mojubá!


Maria Padilha das 7 Encruzilhadas!
“E então meu filho em qual Encruzilhada iremos nos encontrar?”
“Em qual delas vou te buscar?”

Mensagem recebida por Mãe Luzia Nascimento em 02 de setembro de 2006,
Dirigente do Centro Espiritualista Luz de Aruanda
(Terreiro Filiado ao Centro Espiritualista Caboclo Pery)

terça-feira, 8 de março de 2011

08 de Março - Dia de Pombagira



Hoje é Dia de Pomba Gira
Estava imerso nos meus trabalhos quando senti a proximidade de um dos Guias, ou melhor, de uma das Guias. Parei para perceber melhor e escutei:
- Boa noite, moço.
- Boa noite, minha senhora. Tudo bem? Posso ser útil em alguma coisa?
- Comigo está sempre tudo bem, moço. (gargalhada) Obrigada pela sua gentileza.
- Não tem de quê, minha mãe à minha esquerda.
- Sabe, moço, agradeço seu carinho e o seu respeito, não são todos que o têm, mas estou longe de ter um filho barbado. (gargalhada).
- Entendo, minha senhora…
- Mas tudo bem, meu filho. (gargalhada escrachada) Sabe moço, estava vendo a movimentação e sei que haverá trabalhos na minha banda. Fico contente por isso, mas não consigo entender uma coisa.
- O quê, minha mãe? – ri-me, já pressentindo o que vinha.
- (risos) Porque é que vocês só reverenciam a festa de Exu?
- De jeito nenhum, minha mãe, a festa sempre é também para a senhora.
- Não é isso que estou dizendo, moço.
- E o que é então?
- Sabe moço, estamos à frente e na frente de muitas coisas. Aliás, Pomba-gira é assim mesmo, prá frente. (gargalhada)
- Isso eu sei… (risos), mas não entendo onde a senhora quer chegar.
- Olha, moço, vocês passaram por grandes mudanças e avanços sociais nos últimos tempos, não?
- Não…vou dizer que ainda estamos passando, mas claro que muita coisa mudou.
- E vão mudar mais ainda! (gargalhada) Bom, moço, sei que não tenho muito tempo e queria falar-lhe uma coisa.
- Pode dizer, minha mãe.
- Apesar de atuarmos junto com os nossos companheiros Exus, nós não somos nada parecidas com eles. Assim, não têm por que criar um dia para Exu e reverenciar-nos também.
- Onde a senhora que chegar?
- Antes, na vossa ignorância, muitos nos chamavam de Exu mulher, mas hoje isso passou, pelo menos para muitos, mas outros ainda possuem estes conceitos ou piores (gargalhada escrachada).
- Sim?
- Então, como muitos já sabem disso, e como também sabem o muito que fizemos por vocês e pela Umbanda, você não acha que está na hora de criar um dia só para nós? (gargalhada).
- Acho que sim, minha mãe. Por mim pode até ser hoje.
- (gargalhada escrachada) Você acha moço, que Pomba Gira se contenta com qualquer coisa? (gargalhada escrachada)
- Sei que não (risos), mas, mais uma vez, não entendi onde a senhora quer chegar.
- Olha moço, quando vocês comemoram um dia para os Orixás, normalmente ele tem a ver com o sincretismo religioso que vocês fazem, certo?
- Certo, mas infelizmente não conheço nenhum sincretismo religioso para a senhora.
- (gargalhada) É porque de santa nós não temos nada! (gargalhada escrachada) Mas se tivéssemos, qual seria esse sincretismo?
- Sei lá, minha mãe. Maria Madalena, talvez (risos).
- É, podia ser engraçado… Mas essa história de mulher da vida continuaria nos perseguindo, ou não foi por isso que você pensou nela?
- Tenho que confessar que foi. Peço desculpas.
- Não tem que se desculpar não, moço, se a gente ligasse para isso, já teríamos reclamado.
- Mas então com que santa sincretizamos a senhora, já que de santa a senhora não tem nada? (risos)
- Engraçado você, não, moço? (gargalhada)
- Mas uma vez desculpe, mas não posso deixar de me lembrar do que as senhoras representam na cabeça de muita gente.
- Isso é falta de informação ou ignorância mesmo, sabe moço?
- Sei.
- Mas que influenciamos algumas mudanças na mulherada, pode ter a certeza.
- Acredito. Afinal vocês representam o arquétipo do prazer, a sensualidade e a sexualidade feminina e a “mulherada” “tá” fogo (risos).
- Você falou bem, moço, feminino, não da mulher. Claro que somos mais femininas que vocês, mas vocês também possuem um lado feminino, não?
- Claro que temos, minha mãe, assim como vocês têm um lado masculino.
- Esse não serve para nada. (gargalhada) Mas esse lado que muitos de vocês (homens e mulheres) não usam, deveriam usar mais, sabe?
- Sei não, minha mãe. Pode-me contar?
- Não se faça de inocente, moço. Eu sei que você sabe, mas você quer ver o que eu tenho para dizer e o que tiver que dizer eu digo moço. Acontece que é através desse lado que vocês tanto realizam como se realizam nas coisas, pois é nele que vocês encontram o prazer de fazer, de viver, de ser…
- Sei…
- Mas esse lado, moço, só se desenvolve com leveza, com soltura, com sensibilidade e isso até mesmo muitas mulheres estão a esquecer-se.
- Acredito que sim, minha mãe.
- Mas, voltando ao assunto que você desviou, nós não nos contentamos com qualquer coisa e nem com qualquer dia.
- Tudo bem, minha mãe, mas que dia a senhora quer para que possamos homenageá-las?
- Sabe, moço, se nós não tivéssemos dado corda àquela mulherada toda, muita coisa não teria mudado.
Entendendo onde ela queria chegar, perguntei:
- As senhoras ou o mistério?
- Isso não importa, pois é através dele que me manifesto, certo?
- Certo, minha mãe.
- Mas voltando onde você me interrompeu, se nós, ou como você disse, o nosso mistério não tivesse incitado toda essa revolução feminina, as mulheres não teriam conquistado um dia só para elas, sabe?
- Não, mas acho que estou a começar a perceber…
- Pois é, moço, tem sincretismo ou arquétipo melhor para nós do que simplesmente a mulher, sem ser santa ou outra coisa qualquer? Simplesmente mulher.
- Acho que não.
- Então concordamos, já que de santa eu não tenho nada, mas de mulher tenho muito… (gargalhada)
- Concordo, minha mãe… (risos) Agora entendi, minha mãe. A senhora quer que louvemos o seu dia no Dia Internacional da Mulher, não é isso?
- Pense moço, na revolução que isso seria. Homens homenageando suas mães, esposas, filhas, irmãs e… nós. (gargalhada escrachada)
- Acho interessante, minha mãe, mas acredito que muitos não vão gostar dessa idéia.
- Tudo bem, moço. Muitos já não gostam da gente mesmo. (gargalhada)
- Tudo bem, minha mãe. Na minha casa vou reverenciar esse dia como dia das Pomba Giras. Está bom para a senhora?
- Está não, moço. Por que só na sua casa se isso pode ser em toda casa de Umbanda? Como eu disse, nós não nos contentamos com pouca coisa! (gargalhada)
Ri-me, mas já meio preocupado.
- Certo, minha mãe, mas o que a senhora quer que eu faça?
- Espalhe isso. Tenho a certeza que alguns vão gostar e aderir, outros vão achar você um palhaço, mas faz parte. Se nós não agradamos a todo mundo, você também não irá agradar quando relatar para os outros o que eu lhe estou pedindo.
- Certo, minha mãe, mas a senhora agüenta a bronca desse lado aí, “tá”?
- (Gargalhada) Pode deixar moço… se você fizer direitinho, não há problema. (gargalhada) Mas agora que já disse o que eu queria moço, eu vou embora e o resto é com você.
- Até à próxima, minha mãe. A senhora quer que eu ponha o seu nome no seu pedido?
- Ponha só Maria, pois não há nome que defina melhor o que é ser mulher que Maria, não acha?
Assim a moça desapareceu gargalhando...
E aqui escrevo essa nossa pequena conversa, instituindo no nosso Templo o dia 8 de Março como o dia dedicado a Pomba Gira. Um dia a mais dedicado a um Orixá como tantos outros que dedicamos na nossa Umbanda.

Saravá a todas as Marias!

Salve as moças!

Laroyê Pomba Gira!


Fonte: http://lendasdearuanda.com/home/?p=41#more-41

“Aquilo que é impenetrável para nós existe de fato. Por trás dos segredos da natureza há algo sutil, intangível e inexplicável. A veneração a essa força que está além de tudo o que podemos compreender é a minha religião.”

Albert Einstein.

Obras Básicas - Pentateuco do Espiritismo

O Livro dos Espíritos - Contendo os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade – segundo o ensinamento dos Espíritos superiores, através de diversos médiuns, recebidos e ordenados por Allan Kardec. O Livro dos Médiuns - Contendo os ensinamentos dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo. Em continuação de "O Livro dos Espíritos" por Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo - Com a explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida por Allan Kardec. Fé inabalável só é a que pode encarar a razão, em todas as épocas da Humanidade. Fé raciocinada é o caminho para se entender e vivenciar o Cristo. O Céu e o Inferno - Exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e demônios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte por Allan Kardec. "Por mim mesmo juro - disse o Senhor Deus - que não quero a morte do ímpio, senão que ele se converta, que deixe o mau caminho e que viva". (EZEQUIEL, 33:11). A Gênese - Os milagres e a predições segundo o Espiritismo por Allan Kardec. Na Doutrina Espírita há resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A Ciência é chamada a constituir a Gênese de acordo com as leis da Natureza. Deus prova a sua grandeza e seu poder pela imutabilidade das suas leis e não pela ab-rogação delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente.
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A Umbanda não é responsável pelos absurdos praticados em seu nome, assim como Jesus Cristo não é responsável pelos absurdos que foram e que são praticados em Seu nome e em nome de seu Evangelho. Caboclo Índio Tupinambá.

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